
Permito-me conflitar. Deixo que a minha alma se desespere, se debata e console a si mesma, como bebê quando tem sono.
É daí que saem meus textos, daí que flui a minha vida, que se fazem os meus caminhos.
Sonho antigo então me incomoda.
Pedaço de mim que faz falta... Chega a doer.
Já passa da meia noite de um dia cheio.
Na intenção de terminar o dia, me dirigi à geladeira, inocente e despreocupada em busca de água, e ela pregou em mim uma peça! Pegou-me numa armadilha.
Ao encará-la despretensiosamente, fui alvo do calendário em sua testa, mostrando novembro, e novembro já avançado! Com o passar da meia noite, hoje já se chama 23.
Falo-te então dos dias recentes: alegres, uteis, coloridos. Dias risonhos, dias de sol, de musica, dança... Dias meus. Cheios de expectativas e esperanças (demiti toda aquela pressão). Pois talvez ao descrevê-los, possas entender o meu pesar.
Não, não pense que sofro por antecipação. Não é verdade.
Tenho aproveitado cada segundo conscientemente. Pra não esquecer nenhum deles! E por isso a minha vontade de fazê-lo demorar-se.
Fica mais 2010? Só mais um pouquinho?
Não leva contigo tudo isso? Não leva contigo o que me dá sentido! Peço-te...
Mas se não podes então, roga a 2011 que seja bondoso?
Pede a ele que se compadeça dessa menina que se faz mulher, que a pegue pela mão e lhe mostre seus caminhos?
Que lhe dê sorrisos, não melhores, nem piores, mas únicos e tantos! Como os que já guarda.
Que lhe dê amor! Sempre único e eterno, não importa quantos.
Não vou me acovardar. O que tiver que ser será, e sei que tudo irá bem.
É só que me foi tão caro chegar até aqui... Já sinto falta.
A linha de chegada costuma ser repleta de dualidade.
À frente a conquista de uma almejada vitória, atrás o fim de um caminho pavimentado por esforços, receios e sacrifícios, por conselhos. Pessoas que te impulsionaram, que te abraçaram, ensinaram... Tanta coisa que fica pelo caminho que se completou, que quase nem dá vontade de chegar.
Mas há que se manter os olhos em frente. Ao infinito e além, como diria nosso querido Buzz Lightyear.
Então, já não tenho tantas projeções. Intento a curto prazo.
E isso, ao contrário do que possa parecer, me faz até mais leve.
É o presente que me abraça, e eu só quero que seja sempre assim...
Enquanto vos escrevo, Paulinho Moska canta suave aos meus ouvidos, aquieta a tempestade do meu copinho d’água e nina os anseios em mim...
“Calma!
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu...”
Não somos tanto quanto pensamos.
Nada é tão definitivo.
E ainda que pequeno e efêmero, é bom simplesmente ser...
Calma.
Um comentário:
:) Calma! Vc já está pronta! Conserve a coragem. Força e fé sempre pelo caminho. Bejo, passarinha!
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