segunda-feira, 28 de abril de 2008

Uma vida em transito.



Vermelho... Verde!
Cores correm, luzes piscam,
O barulho ensurdece
Amarelo,


Vermelho... Verde!
Vidas avançam, outras regridem,
Mas todas prosseguem.
Amarelo,

Vermelho... Verde de novo!
E eu aqui! Não consigo ir....

Você já se sentiu assim?
Tudo parece em seu devido lugar
Todos encontram seus caminhos, crescem, amadurecem.
E você lá...

Às vezes sou acometida dessa situação,
Sei dirigir, endereço na mão,
Mas algo me prende ao chão.

Janelas abertas,
Volume tão alto quanto os meus sonhos,
Cabeça cheia de planos, bolsos cheios de sementes,
E o pé abraçado ao acelerador,
Mas só o freio parece funcionar.

Seria o medo?
A insegurança,
Ou simples tempo inapropriado?
O problema é no motor,
Ou é o motorista quem ta quebrado?

Quero arrancar,
Desenvolver velocidade.
Sentir os ventos de liberdade,
Aventurar!

E ao fim da tarde,
Direções seguidas, ordens cumpridas.
Poder reclinar os bancos e ao pôr do sol descansar.

Mas no profundo silencio do presente “vermelho”, muito pode acontecer.
Há que se ter sensibilidade, acuidade, pra aprender!
Liberte-se de si mesmo e então,
Mesmo que permaneça parado, o mundo correrá por você.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Divagando


Alguns dias parecem sonhos, e como eles passam rápido!
Pus-me a refletir no por que de não serem todos assim.

Suponho que esses sejam os dias em que se vive o superficial
Em que não se busca razões ou intenções
Apenas vive o que a vida oferece
Coisas simples ou desafiantes, com intensidade.
Sem muito pensar ou pesar.

Deveríamos viver assim constantemente? Não sei...
Talvez algum "juízo" seja necessário.
Ou não, esse também pode ser só mais um conselho perpetuado por pessoas frustradas que por aqui passaram...

Entretanto, uma coisa eu sei:
Esses são os dias que fazem a vida valer a pena!
São os dias que me fazem "segurar as pontas" e continuar.
Na esperança de que outros como estes virão...
E não é assim com todo mundo?!

Agora, existe uma outra possibilidade:
A de que eles sejam, de alguma forma (que eu não imagino qual),
Uma espécie de recompensa por ter se mantido fiel nos dias entediantes
Fiel àqueles deveres contrariantes aos quais nos submetemos diariamente.

É, mais uma vez admito não saber...
O fato é que hoje acordei com saudades
Das novidades, da liberdade, da expectativa...
Da alegria de certos dias que vivi.

E por mais incompreensível que isso possa parecer,
Talvez o valor desses dias consista justamente em sua raridade.
Como (quase) tudo nesse planeta...

Por falar nisso,
Estranha essa nossa fixação com o diferente, não é mesmo?!
Enquanto algo está envolto na névoa do mistério, do desconhecido, do incomum, nossos olhos brilham fixamente interessados. Então quando vai clareando, geralmente não sabemos reconhecer a sua beleza... Por mais belo que seja!

Nas poucas vezes em que nosso cérebro se distrai e, por um acaso, nossos olhos se mantêm fixos em algo ou alguém um pouquinho mais de tempo após o partir da névoa... Aí então fizemos os nossos melhores amigos, descobrimos nossas atividades e lugares preferidos, e alguns até mesmo os seus amores.

Concluo então que fazer amigos é a arte de esconder os seus próprios defeitos por tempo suficiente pra que as pessoas conheçam as suas virtudes.
E não, não me refiro a interpretar, fingir ser alguém que não é. Apenas ser você mesmo, mas saber discernir os tempos... Por mais difícil que seja.

Saber discernir os tempos! Seria essa a resposta que eu procurava?
Parece tão óbvia...
Talvez seja hora de aprendermos a reconhecer o valor das obviedades.

Eu e a Vida (by Jorge Vercilo)


Vem me pedir
além do que eu posso dar
É aí que o aprendizado está
Vem de onde não sonhei
me presentear
Quando chega o fim da linha
e já não há aonde ir
Num passe de mágica
A vida nos traz sonhos pra seguir
Queima meus navios
pr'eu me superar
as vezes pedindo
que ela vem nos dar
o melhor de si

E quando vejo,
a vida espera mais de mim
mais além, mais de mim
O eterno aprendizado é o próprio fim
Já nem sei se tem fim
De elástica, minha alma dá de si
Mais além, mais de mim
Cada ano a vida pede mais de mim
mais de nós, mais além

Vem me privar pra ver
o que vou fazer
Me prepara pro que vai chegar
Vem me desapontar
pra me ver crescer
Eu sonhei viver paixões, glamour
Num filme de chorar
Mas como é Felini, o dia-a-dia
Minha orquestra a ensaiar
Entre decadência e elegância,
zique-zaguear
Hoje, aceito o caos.

E quando vejo,
a vida espera mais de mim
mais além, mais de mim
O eterno aprendizado é o próprio fim
Já nem sei se tem fim
De elástica, minha alma dá de si
Mais além, mais de mim
Cada ano a vida pede mais de mim
mais de nós, mais além

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Geometricamente, a vida.



Tô cansada de perpendiculares,
As paralelas me fazem muito bem; mas alguém, por favor, me apresente a minha consecutiva?!


Cansei de turistas na minha vida, eles vêm acham tudo lindo,
pegam como souvenir um pedacinho do meu coração e lá se vão...

Ah,
Eles passam, e em um ponto,
Por um momento,
Fazem tudo parecer ter algum sentido...
E aquele breve encontro se disfarça de eterno.

Um ponto a mais,
Um passo a mais,
E os caminhos já se mostram tão divergentes!
Ângulos enormes e impiedosos me separam de tanta gente...

Olhando a vida daqui de cima, vejo retas.
Vejo como a vida muda em instantes, em pontos tão decisivos...

Vejo como algumas pessoas q pareciam retas avulsas
Ou simples pontos perdidos na sua história,
Tornam-se preciosamente paralelas.

E como outras passam pela sua vida como perpendiculares,
Em instantes tão breves quanto intensos.
Por mais que você queira tê-las sempre por perto, a vida impõe ângulos intransponíveis.
Sim, existem ângulos intransponíveis.

Às vezes fica difícil entender um desenho como esse...
Tantas retas em uma folha só, tantas vidas em um só planeta.
Já não se tem certeza da direção
E fácil é confundir avulsas de paralelas,
Paralelas com perpendiculares...
Ainda mais quando elas são tão inconstantes, tão móveis!

Então, em meio a essa “confusão”, de nada adianta desesperar.
Nem tentar decifrar.
O importante é continuar... Porque, como já disse, em um instante tudo pode uma nova configuração tomar.

Assim sendo, aquieto-me,
A desabafar com as minhas queridas paralelas.
E esperar aquela que virá pra ficar.
Aquela que apesar das diferenças, uma reta (mais forte e determinada) comigo será. Um só propósito e alvo teremos.

Inconfundível
Inesquecível...

E finalmente, inseparáveis,
Permaneceremos.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Deus e a eletricidade.

Lá estava eu, às 3 horas da manhã, ponderando sobre a tolice humana.
Parece-me que esses momentos começam a se tornar cada vez mais usuais pra mim...
De qualquer forma, comecei a pensar sobre a eletricidade.

Tornamo-nos escravos da eletricidade!
Você já se deu conta disso?
Se não, então imagine o nosso mundo, ou melhor, a sua vida,
sem pilhas, baterias ou tomadas...

E então? Concorda comigo?!
Caos total! Teríamos que reaprender a viver.

E o que é essa tal de eletricidade?
Você já a viu?
Já conversou com ela? Ouviu-a fazendo juízos ou proferindo opiniões? Já a apalpou com a suas mãos e percebeu o seu formato?
Creio que não...
Mas provavelmente já comprovou a sua existência (e eficiência) em algum "encontro incomum" como um choque, por exemplo. Além de certamente ver os seus efeitos a todo o momento, no seu carro, celular, computador, TV, lâmpadas... E tantas outras coisas que a gente esquece que são eletrônicas, até que falte luz!

Agora, em sentido mais profundo, você já se deu conta das semelhanças entre Deus e a eletricidade????
Deus seria como uma tomada?
Ela geralmente não vem até você, não é mesmo?! Mas você vai até ela porque acredita na sua eficiência... E quando se atreve a buscá-la você a encontra!
Assim é Deus... (e Ele também existe em várias intensidades, dependendo da intensidade do coração de quem busca, Deus responde à altura... que o diga quem já experimentou!!!).

Sobre a tolice dos homens, me refiro à facilidade que temos de crer e depender de coisas simples, criações! No entanto, o Criador é desacreditado e ignorado... Quanta tolice! Não há nem o que comentar a esse respeito...

Contudo, o que quero que percebas, é que Deus está a sua espera...
Ele vive e atua em nosso mundo também.
Se você crer e o buscar, o achará! E assim como uma pessoa que toma um choque de 220 volts nunca mais será a mesma, assim também você terá sua vida completamente transformada.




(dez/07)

quinta-feira, 3 de abril de 2008

O mito da sinceridade.

O mundo girando,girando, girando.... E eu aqui parada, calada, encarando esse monitor e pensando: vou escrever um texto útil!
Mas esses conceitos me parecem tão relativos.
Então resolvi escrever um texto, e deixar a classificação de “útil” por conta do leitor.

O assunto que hoje aflige a minha alma é sobre a existência da sinceridade, outro desses assuntos que ultimamente me parecem muito relativos. Posto que sinceridade, não é só dizer a verdade, já que até a verdade pode ser dita de forma enganosa.
E que sinceridade há na manipulação de uma verdade?
E quem de nós não as manipula?

Tudo que falamos, o fazemos de acordo com nossos interesses.
Ao falar de nós mesmos, de nossas vidas, ao dar conselhos ou contar histórias fazemos as coisas parecerem mais interessantes, as cores mais vibrantes, os sorrisos mais felizes e as aventuras mais fascinantes do que foram verdadeiramente.
Talvez você possa dizer que não, e se denominar um pessimista ou realista, mas provavelmente você injeta nas suas desventuras um certo glamour, pra que não pareçam tão insignificantes quanto verdadeiramente são, e assim possa chamar alguma atenção.

Segundo o jornalista francês Tristan Bernard, “Os homens são sempre sinceros. Mudam de sinceridade, nada mais”. Decidi concordar em parte, como a uma solução temporária, por ainda não compreender o verdadeiro significado dessa palavra que possui tamanho peso em minha lista de valores, ou talvez apenas por não querer aceitar que ela, a famigerada sinceridade, não seja assim, tão absoluta.

Previsível = seguro?

O que é uma vida vivida por necessidade ?
Escolhas planejadas e futuro determinado?
De que me valeria um corpo sem autonomia
e uma mente pensante sem utilidade?

Pra que serve uma vida em que tudo faz sentido
mas em que nada é sentido?
E pra que um coração com tamanha capacidade de se expandir
oprimido por altas paredes e cercas elétricas?

De que me valem sonhos se não posso vivê-los
e esperanças pelas quais não luto?
De que me valem dons guardados
e conselhos atrasados?

De nada me valem
De nada me servem

O que entao deveria eu fazer com tdo isso ?
Jogar tudo pra cima? Desistir?
Viver um outro extremo?
Também não convém.

Já chorei, já sorri
Já tentei, já sofri
E vou vivendo assim
sem saber ao certo se estou no caminho correto

O tempo é como uma esteira em alta velocidade,
ele não pára
se voce parar ele te derruba.
Não há tempo pra pensar,
não há o que calcular...senão desejar,
que algum dia, por sorte ou milagre, chegue-se em algum lugar.


(dez/07)